O exílio - OBARA OJUANI
Xangô (Shangó) foi o quarto Rei de Oyó e possuía o poder de fazer cair o raio à sua vontade e expelir fogo pela boca, aterrorizando assim os seus adversários.
Xangô venceu numerosas guerras e anexava as terras conquistadas, mas, devido ao seu caráter violento, criou muitos inimigos ao seu redor. Entre eles estavam dois dos principais chefes do seu exército: Tomi e Konka. Para se livrar deles, colocou um contra o outro e enviou o vencedor a uma expedição guerreira condenada antecipadamente ao fracasso.
Este confronto provocou o descontentamento geral do povo e Xangô teve que se asilar. Os seus seguidores sofreram humilhações de todo o tipo por parte dos seus adversários, mas eles, apesar das adversidades, mantiveram-se firmes para salvaguardar a memória do seu rei Xangô.
Assim que Xangô chegou exilado à outra terra, começou a direcionar os seus raios sobre as casas dos seus inimigos e, em pouco tempo, a alegria do triunfo dos seus adversários transformou-se em terror. No entanto, no afã de destruí-los a todos para regressar à sua terra, Xangô, sem se dar conta, fez cair um raio sobre o seu próprio palácio, destruindo-o totalmente e causando a morte da sua mulher e dos seus filhos.
Xangô, ao ver o erro cometido, enfurecido e tomado pelo orgulho, golpeou a terra e afundou-se nela com um estrondo ensurdecedor. A partir desse instante, converteu-se numa Divindade ou num Orixá, e as suas três mulheres converteram-se em rios: Oyá no rio Níger, e Oxum (Oshún) e Obá nos rios que levam os seus respetivos nomes.
Nota: Esse PATAKIN alerta que quando usamos a nossa força com raiva e sem sabedoria, o maior prejuízo quase sempre cai sobre nós mesmos e sobre aqueles que nos amam.